Ilustrações

Ernani Chaves se aproximou das artes visuais a partir das camisetas, da pintura à mão, da serigrafia.

 

As estampas traduzem as conversas com as pessoas que vão vesti-las.

 

Na raiz da criação, sua mãe costureira e mestre na arte de dialogar.

 

Para Ernani, “as camisetas são livres”, pensamentos visuais que aproximam.

Pássaros Internos

Como se o mundo fosse visto a partir do olho de um pássaro, que curva a cabeça para olhar o humano bocó que passa. Passa e não vê a oportunidade de perceber um movimento, uma sutileza que pode mudar sua geometria interna minada de imagens estéreis que não são suas, vieram de longe, como se ele fosse apenas um hospedeiro intermediário, deslocando o olhar imediato para um buraco de avestruz que chama, tam dam dam.

 

Ao que serve? Para quem serve?

 

Nossa atenção desfocada ao extremo. Onde vamos parar se o bagulho é sem fundo? Sim, o espaço é imenso.

 

Temos mais o que ganhar e nos enriquecer com nosso mergulho interno. Será?

 

Será que temos toda essa coragem de mergulhar em nosso interior e ver nossas limitações e nos enriquecer de nossas percepções, nossas próprias conclusões?

 

Será que ainda dá tempo? Será que serve ao que está aí?

   

Aceleração dos sentidos de forma a nos desgovernar, patetas de nós mesmos. Será que a mínima percepção de coisas banais, um olhar profundo pode causar mais dano que uma bomba? Será que nossos pássaros internos estão vivos? estamos dormindo ou estamos mortos? Estamos esperando a última mensagem para depois autorizar o enterro de nossas esperanças em acreditar que nosso interior guarda grande parte de nossas respostas e perguntas para nossas angustias.

 

Empapuçar os olhos ao ver todas as árvores em flor, pássaros que nos acordam na madrugada e não nos irritam, mas mergulham em nosso corações de forma a nos alimentar de nossas sensações. Ele é só um ativador de nós mesmos, ele continua pássaro em sua vida regada de circularidade constante, reciprocidade de sensações, que não conseguimos admirar, acordar todos os dias a cantar para nós, embelezar o olhar, nos desacomodar estas nossas certezas rasas, que realmente não somos o centro do universo.

 

Mandaram avisar que temos que pagar aqui agora, não adianta partir antes. O que seria do humano sem música e arte, para reconstruir os sentidos, organizar os espaços que se confluem, nos tirar os pés do chão, para conseguirmos ir em frente com amor pela vida, que é plena de desafios para enfrentar e nos fazer enriquecer e darmos sentido para esta existência, nos dando coragem para tomarmos mais posições regadas e acompanhadas pelo nosso silêncio interno, onde acolhemos o monstro e lavamos e cortamos seu pelo.

 

Principalmente frente aos olhos, para nos possibilitar de ver um pouco além de nosso umbigo e enxergar o outro, sempre o outro, é este que nos soma, mesmo nos causando arrepios.

 

Coragem criaturas!!! A nave espacial somos nós, o universo é interno, o bagulho é forte e suave, tudo junto, te cerca de amigos e criaturas que te olham no olho e dizem com franqueza que a vida é boa e tem que ser vivida com serenidade e certeza, que não temos este poder de transformar o externo. Só a nós mesmos.

                                                                                                                                                                      Ernani Chaves

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